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O que a carta de Palocci tem a ensinar à liderança evangélica brasileira?

Prezados 250 leitores, este blog é reflexivo. Nosso combustível é a realidade. Não é raro encontrar alguém que estreite sua viseira, restringindo sua análise aos ícones bíblicos. Mas como agiriam Davi, Paulo, Daniel vivos fossem entre nós neste momento, senão tomando como paradigmas pessoas de nosso tempo? Assim como na Bíblia há os bons exemplos vivos de hoje e os maus. O PT é um deles. Nasceu pequeno e idealista como muitas de nossas igrejas. Com o passar dos anos vergou-se ao pior onde esteve inserido.

Se mudarmos a sigla PT para a de muitas igrejas teremos Gleisis, cientes de corrupção interna, mas bradando ao quatro ventos que todos são assim mesmo, Dilmas, incompetentes por natureza, mas úteis a certos projetos de poder, Lindembergs, com cara de bom moço e escondendo ilicitudes as mais diversas. Teremos tropas de choque, massa de manobra, palavras ditas em público e descumpridas em privado. Infelizmente, e o digo com grande tristeza, pouco ou nada muda na comparação. A única diferença é que enquanto um partido pode, eventualmente, abominar o nome de Deus, igrejas que caem na mesma armadilha o usam a seu bel prazer, para justificar alguns desvios e até desviar o foco.

Ontem, Palocci, divulgou uma carta ao PT. O partido decidiu puni-lo por ter denunciado Lula, no último 06/09, em depoimento ao juiz Sérgio Moro. A carta, lapidar, traz elementos didáticos importantes para quem quiser aprender o que não fazer. Com pouco tempo, destaco apenas alguns pontos. Uns subliminares, outros explícitos. Vamos analisando e fazendo os links importantes para nós.

A história do PT

Palocci faz questão de destacar sua trajetória no partido. E insinua que a História não perdoará o partido. De fato, muitas lideranças evangélicas iniciaram como o partido: idealista e pobre. Apegados aos ideais, em detrimento do poder ou do dinheiro. Mas o tempo os traiu. Muitos hoje são ensimesmados e loucos por destaque. E dinheiro!

Declaração de Palocci sobre sua trajetória

O problema da abundância

Uma das declarações mais contundentes é que Lula tenha aderido à corrupção no momento mais próspero de seu Governo. Não foi a crise, nem a governabilidade. Foi a volúpia. O flerte com a escória. Quantos líderes no auge de seus ministérios não aderem a práticas reprováveis? A Bíblia e a História ensinam que quando mais prosperamos mais nos tornamos vulneráveis.

A desfaçatez

Outro ponto alto da carta de desfiliação é quando Palocci frisa a desfaçatez de Lula. No mesmo instante em que encomenda as sondas da Petrobrás, encomenda as propinas! Quantos líderes capazes de falar de Deus e de vantagens pessoais sem mudar o tom de voz? De dizer uma verdade e emendar com uma mentira? De ler um versículo e, em seguida, encobrir um escândalo?

Palocci fala de sondas e propinas numa mesma ocasião

A cegueira do poder

Já falamos em outro post como o poder pode cegar. Lula tentava se eternizar, influir até em coisas que não lhe diziam respeito. Quantos líderes não são assim? Fecham os olhos para os pequenos ilícitos, que vão crescendo. Depois não resta criatividade, mas vantagem. Amizade, mas retorno financeiro. Idealismo, mas caos e atuação contingencial.

Palocci fala sobre a cegueira do poder

A vala comum

Palocci dramatiza a derrocada petista ao assinalar a vala comum em que o partido caiu. Começou diferente, contra “tudo que está aí” e lentamente foi aderindo ao pior da política. Com a igreja não acontece diferente. Primeiro se diferencia, depois se amolda. O cenário reinante no Brasil é de total perplexidade, porque muitas vezes, fica difícil diferencial um aproveitador de uma liderança séria.

Palocci fala sobre o legado petista

Finalizo por aqui, por falta de tempo. Poderíamos destacar:

  1. O caráter messiânico do líder. Palocci pergunta por que Lula é intocável? Já viu esse filme em alguma igreja enquanto a ética desmorona?
  2. A inapetência para enfrentar os desvios. Lula optou por fechar os olhos, embora soubesse de tudo desde sempre. É a chamada autopreservação!
  3. O nivelamento por baixo. O PT caiu na vala comum enquanto vociferava aos quatro ventos. Ou seja, não adianta enfatizar usos e costumes, enquanto o perfume evapora. O conteúdo é mais importante que o frasco!
  4. Não importa o que dizem de nós, mas o que, realmente, somos. Enquanto Barack Obama chamava Lula de o “cara”, a corrupção se irradiava por todos os cantos. Nossa importância externa não muda o que somos internamente;
  5. Dinheiro não resolve o problema ético. Enquanto o país nadava nos petrodólares esquecia as lições de casa mais básicas.

Concluo relembrando que não devemos estar alheios aos riscos do poder. Do contrário só teremos a perder. Leia abaixo a carta na íntegra.

Carta de desfiliação de Palocci

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1 Comentário

  1. Lula vê tudo, articula nos bastidores, mas não sabe de nada. É uma analogia perfeita!